Fiquei impressionada, após ler “A Filosofia da Composição”, com o trabalho todo que Edgar Allan Poe teve com a construção do “ O Corvo”. Segundo ele, ficaríamos chocados se fossemos ver os “bastidores” dos escritores, chocados com a quantidade de rascunhos e o longo tempo que se leva para a construção de um único poema.
Nunca tinha pensado que para expressar um sentimento, é muito importante que haja uma construção racional, não através da preocupação de extravasar um sentimento, mas sim em como fazer com que este sentimento seja sentido, captado, compreendido pelo leitor.
É interessante observar também que ele se baseia no sentimento que ele pretende transmitir e não na história que quer contar, tudo pensando na compreensão do leitor.
Achei curioso também o caminho que ele usa para transmitir ao leitor o sentimento de beleza, utiliza-se da tristeza, explicando que quando achamos algo belo, sempre há lágrimas, por isso, para ele, para se transmitir beleza é necessário usar da tristeza. Seu processo de escrita é puramente racional, nada está lá por acaso, tudo é pensado, refletido, medido.
Teve um aspecto do texto “A Filosofia da Composição”, que me deixou um pouco confusa para compreender “O Corvo”, no texto ( “A Filosofia da Composição”), ele cita alguns versos do “ Corvo”, porém não pude entender o motivo de estarem diferentes dos que compõe a versão final publicada. Em alguns destes trechos aparece o nome de uma “Leonor”, que não existe na versão final. Ele fala que tem a intenção de relacionar a tristeza com a perda da amante, porém quando li o texto final, não pude encontrar a presença desta amante.
Apesar dos mal entendidos, ler “A Filosofia da Composição”, é uma lição de escrita.