quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma Lição de escrita

Fiquei impressionada, após ler “A Filosofia da Composição”,  com o trabalho todo que Edgar Allan Poe teve com a construção do “ O Corvo”. Segundo ele, ficaríamos chocados se fossemos ver os “bastidores”  dos escritores, chocados com a quantidade de rascunhos e o longo tempo que se leva para a construção de um único poema.
Nunca tinha pensado que para expressar um sentimento, é muito importante que haja uma construção racional, não através da preocupação de extravasar um sentimento, mas sim em como fazer com que este sentimento seja sentido, captado, compreendido pelo leitor.
É interessante observar também que ele se baseia no sentimento que ele pretende transmitir e não na história que quer contar, tudo pensando na compreensão do leitor.
Achei curioso também o caminho que ele usa para transmitir ao leitor o sentimento de beleza, utiliza-se da tristeza, explicando que quando achamos algo belo, sempre há lágrimas, por isso, para ele, para se transmitir beleza é necessário usar da tristeza. Seu processo de escrita é puramente racional, nada está lá por acaso, tudo é pensado, refletido, medido.
Teve um aspecto do texto “A Filosofia da Composição”,  que me deixou um pouco confusa para compreender  “O Corvo”,  no texto ( “A Filosofia da Composição”),  ele cita alguns versos do “ Corvo”, porém não pude entender o motivo de estarem diferentes dos que compõe a versão final publicada. Em alguns destes trechos  aparece o nome de uma “Leonor”, que não existe na versão final. Ele fala que tem a intenção de relacionar a tristeza com a perda da amante, porém quando li o texto final, não pude encontrar a presença desta amante.
Apesar dos mal entendidos, ler “A Filosofia da Composição”,  é uma lição de escrita.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Qual a origem de nossos dons?

No texto DNA Literário é impressionante ver como pais que são escritores criam um ambiente rico para que se desenvolva a literatura em suas famílias. Como respiram e se alimentam de livros, transmitem naturalmente isso para seus filhos, muito cedo os filhos começam se expressar  de maneira muito sofisticada, muito naturalmente.
Faz-me pensar seriamente o quanto  a escrita ou o dom para humanas, ou mesmo o dom para exata, é algo que vem da nossa criação ou se é algo que vem de nossa genética, ou seja, os dons vem de fora ou de dentro?
E quando dizemos que vem da genética, são esses genes algo hereditário, uma junção dos genes da mãe com os do pai.
Perdoe minha ignorância na área de biológicas, nem sei se já existem respostas exatas e prontas para tudo isso ou se talvez não sejamos capazes de alcançar toda a constituição e formação do ser humano, mas diante de minha ignorância me vem os exemplos.
Lembro-me de meu bisavô, ele foi um grande escritor, fez parte da academia brasileira de letras, seus livros são incríveis, refletem uma alma humana, humilde e profunda.
Infelizmente não pude conhecê-lo morreu de tuberculose quando tinha 48 anos. Seu filho, meu avô, que pude conviver muito, era uma pessoa extremamente oposta, engenheiro, frio, fechado, restrito a assuntos de trabalho e política.
Depois de ter descoberto meu bisavô através dos livros e de ter convivido tanto com meu avô, não consigo entender como uma pessoa pode se tornar tão reservada, com uma inteligência estritamente exata, ou seja, com uma baixíssima inteligência emocional, tendo convivido tanto tempo com uma pessoa tão humana e profunda.
Sempre pensei que fossemos resultado de uma mistura das pessoas, momentos  e oportunidades que fizeram parte de nossa vida,  com nossos genes.
Mas diante da história do meu avô tudo, para mim, se confunde novamente.

Processo de leitura do texto:" O Corvo"

Na leitura da primeira página tive mais dificuldade, reli cada parágrafo umas três vezes, n~so consegui discernir se aquilo que ele descrevia estava acontecendo de fato, ou se era apenas dentro de sua cabeça.
Já na leitura da segunda página fica um pouco mais claro, pois no segundo parágrafo ele fala que a visita era de um corvo e como li sua biografia, logo pude ligar a idéia de morte que foi muito presente em sua vida.
No terceiro parágrafo pude perceber que o autor se encontrava em um estado de grande tristeza, pois mesmo a visita sendo de um corvo, ele fica feliz. Ele não tem medo nem desconfiança, mas sorri, parece encarar a morte como um alívio da condição em que se encontra.
No quinto parágrafo dessa mesma página, parece ele, o autor, acredita que este pássaro venho anunciar sua morte e o fim de seu sofrimento, pois se chama “ Nunca mais”.
Na terceira página parece que ele começa de fato a descobrir o motivo da visita do corvo.No terceiro e no quarto parágrafo, parece ter sido desvendado o motivo, e parace ser um motivo ruim, já que o autor tem uma reação de revolta com o corvo. Nesses parágrafos fiquei com a impressão que o corvo vem dizer que o autor é maldito e nada de bom o espera, como se dissesse a ele que está condenado ao sofrimento.
No quinto parágrafo (pag 3), ele parece perguntar à ao corvo se algo de bom o espera e ela apenas responde que “nunca mais”.
E no final dessa página, no último parágrafo ele parece se revoltar com o corvo, com o futuro que este o preveste e o expulsa de suas terras.
E ele acaba o texto, deixando a impressão que se sente condenado ao sofrimento na terra, condenado pelo corvo, que permanece próximo a sua casa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Construção x Inspiração

Depois de tantas discussões em sala de aula, depois de refletir e escutar tanto...chego definitivamente a conclusão, que o processo de escrita não é algo natural.
Me explico, muitas disseram que encontraram um grande prazer na escrita, por ser um meio de comunicação, por poder fazer com que os outros nos conheçam melhor, por poder ser um instrumento de nos conhecermos melhor, por poder informar e aprofundar algo, mas nenhuma disse que foi fácil, que nada exige, que encontrou facilidade desde o início.
Acredito que podemos encontrar um grande prazer na escrita, mas acredito que seja indispensável o exercício.
Para o escritor  João de Cabral de Melo Neto a inspiração não deve ser a base de nossos textos, ele acredita que um bom texto deve ser baseado na construção, na razão e não no sentimento.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Invictus:A verdeira liberdade

Invictus, é a história de Nelson Mandela. O titúlo traduz de maneira perfeita o filme, invencível, é assim a história de Nelson Mandela. Romanceado ou não, a força e a liberdade com que Mandela viveu sua vida, é indiscutível. Ele passou 30 anos de sua vida preso, em uma cela de aproximadamente 5 m2, quando sai, têm a plena consciência de que para fazer algo pelo seu país, é necessário perdoar aqueles que o prenderam e o insultaram, sai pronto para tratar com muita generosidade e bondade, todos que o discriminaram e o matrataram, por causa de sua cor. Realmente inácreditável!
Em seus 30 anos na cadeia, escreveu um poema com frases impactantes, cheias de seus ideiais, refletindo a sua liberdade de alma e seu caráter "esculpido":
- "Eu sou o senhor de minha alma, eu sou senhor de meu destino".
Mandela era um homem livre de verdade, cheio de coragem, sabia o que queria, tinha um coração esculpido, livre de seus medos, vaidades, egoísmo, era um coração nobre, livre de todo mal que o coração humano nasce.
Em seu coração havia apenas as coisas boas, mas não de forma bruta, natural, e sim enaltecida, desenvolvida, esculpida.
Mandela tranforma muitas pessoas, transforma seu país, mas antes de tudo transforma a si próprio.