quinta-feira, 10 de junho de 2010

Descrição do processo cognitivo na produção de textos - Resumão

O texto, " A Descrição do processo cognitivo na produção de textos", de Flower e Hayes, propõe dois esquemas sobre os principais processos de pensamento que ocorrem durante o ato de escrita dos escritores. O primeiro foi feito em 1981 por Flower e Hayes e em 1996 após uma revisão deste modelo, Hayes propõe um novo, com algumas alterações.
No primeiro estudo, eles dizem que a parte principal é definir o problema teórico, que envolve situação retórica, a audiência e os objetivos pessoais do escritor ao escrever. A maneira como cada escritor escolhe definir o problema retórico pode variar muito.
Para formular este problema retórico, este primeiro estudo diz, que a mente do escritor está constantemente acessando sua memória a longo prazo, todas informações e conhecimentos guardados, para assim poder  adaptar todas as informações ao problema retórico. O processo de escrita compreende o planejamento, que é constituído pelos  processos de geração de idéias, organização e regulação de objetivos, a tradução, que significa o processo de colocar as idéias em uma linguagem visível e a revisão, composta pelos processos de avaliação e revisão de texto.
No segundo modelo  o processo de escrita se subvide em dois grandes componentes, um social e outro individual. Neste modelo é possível analisar muitos elementos de maneira mais clara, por exemplo, diferenciar  o conhecimento que provém das interações sociais do que provém dos meios físicos.
O planejamento foi substituído pela “reflexão”, a tradução deu lugar para a “produção de texto” e a revisão foi substituída pela interpretação de texto.
Apesar de esse novo modelo descrever mais claramente o processo de escrita, ele generaliza as atividades cognitivas.



Descrição do processo cognitivo na produção de textos - Resuminho

O artigo traduzido, A Descrição do processo cognitivo na produção de textos, de Flower e Hayes, é um estudo de como o processo de escrita acontece. Como resultado desse estudo eles formularam , em 1981, um esquema, que descreve os principais processos de pensamento que ocorrem durante a produção de textos dos escritores. Em 1996 este esquema foi revisto por Hayes, que apresentou um esquema que descrevia de forma mais clara e abrangente os aspectos sociais e individuais do processo de escrita.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Leitura e a eliminação do ego

Acredito que quando lemos um texto, um livro ou qualquer coisa que seja autoria de outra pessoa, é fundamental esquecermos de nós mesmos, de nossas convicções, crenças, preconceitos.
Me explico, quando lemos um texto temos que estar aberto a todas experiências que este pode causar, temos que estar buscando entrar em outro universo e para que isso seja bem feito, precisamos ter a coragem de abandonar o nosso.
Como Virgínia Woolf disse : " O estado de leitura consiste na eliminação do ego."

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A forma é essencial para a compreensão do leitor

“Embora o ponto de partida da invenção de um romancista seja o que ele viveu, esse não é, nem pode ser, o ponto de chegada. O ponto de chegada da invenção se encontra a uma distância considerável, e algumas vezes cósmica, daquele, pois nesse processo intermediário- transpor o tema para um conjunto de palavras e uma ordem narrativa- o material autobiográfico sofre transformações, é enriquecido (às vezes empobrecido), misturado a outros elementos recordados ou inventados, e estruturado.”( 2º Par- Pg 23 “ Cartas à um jovem escritor” – Mário Vargas Llosa)
“A forma é o que permite cristalizar em um produto concreto esta ficção, e, nesse aspecto, se estiver correta a minha idéia sobre a atividade literária (tenho dúvidas, repito), o escritor goza de total liberdade e, por isso, é responsável pelo resultado.” ( 1º Par- Pg 24 “ Cartas à um jovem escritor” – Mário Vargas Llosa)

Um ótimo exemplo desse processo é o texto “ O Corvo” de Edgar Allan Poe , para transmitir um sentimento, ele pensou muito na forma de seu poema, ou seja,  na escolha das palavras, na sonoridade, para que assim, ao ler, o leitor pudesse realmente experenciar e compreender aquele sentimento. 

Para garantir a qualidade, a escrita tem que ser um movimento de dentro para fora

Nas cartas de Mário de Andrade à Fernando Sabino, Mário diz que um dos romances que Fernando escreveu estava muito ruim, ele explica que sentiu uma superficialidade no romance, diz que não tinha as marcas próprias de Fernando, fala que foi um romance escrito de fora para dentro.
Como Mário de Andrade, Mário Vargas Llosa também enfatiza a importância da autenticidade para a qualidade da escrita:
“O romancista autêntico é aquele que obedece docilmente as regras ditadas pela vida, escrevendo sobre esses temas e evitando os que não nascem intimamente da sua própria experiência e lhe afloram à consciência com caráter de necessidade. Nisso consiste a autenticidade ou sinceridade do romancista: em aceitar os próprios demônios e servi-los na medida do possível.”  ( 1º Par- Pg 28 “ Cartas à um jovem escritor” – Mário Vargas Llosa)
“Me parece muito difícil alguém se tornar um criador- um transformador da realidade- se não escrever estimulado e nutrido por aqueles fantasmas (ou demônios) que carrega dentro de si, que fizeram de nós, escritores, rebelados convictos e reconstrutores da vida nas ficções que inventamos.” ( 2º Par- Pg 28 “ Cartas à um jovem escritor” – Mário Vargas Llosa)

domingo, 4 de abril de 2010

A casa de João Ubaldo Ribeiro

Que bonito é ver a infância de João Ubaldo Ribeiro, sempre repleta de livros, uma infância que se alimentava, se divertia, se desenvolvia através de mil escritores, mil histórias, dos mais consagrados e importantes nomes da literatura. Um menino que com apenas 12 anos já havia lido centenas de títulos.

Que incrível é escutar e sentir o seu entusiasmo ao falar da literatura em sua infância, ao descrevê-la como uma paixão, um divertimento, a melhor memória que guarda deste período, uma busca espontânea e pessoal, um hábito simples e natural, um envolvimento íntimo e intenso.

Fico imaginando como a literatura deve ter se arraigado em seu interior e ter transformado sua vida, e vejo que isso foi possível porque cresceu em um ambiente em que a valorização deste hábito era explícita, todos praticavam, todos conversavam sobre isso, todos amavam os livros.

Penso então, como a vida de tantas pessoas, como nosso país, poderia ser diferente se tivesse um pouco da consciência sobre a literatura que tinha na casa de João Ubaldo Ribeiro.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma Lição de escrita

Fiquei impressionada, após ler “A Filosofia da Composição”,  com o trabalho todo que Edgar Allan Poe teve com a construção do “ O Corvo”. Segundo ele, ficaríamos chocados se fossemos ver os “bastidores”  dos escritores, chocados com a quantidade de rascunhos e o longo tempo que se leva para a construção de um único poema.
Nunca tinha pensado que para expressar um sentimento, é muito importante que haja uma construção racional, não através da preocupação de extravasar um sentimento, mas sim em como fazer com que este sentimento seja sentido, captado, compreendido pelo leitor.
É interessante observar também que ele se baseia no sentimento que ele pretende transmitir e não na história que quer contar, tudo pensando na compreensão do leitor.
Achei curioso também o caminho que ele usa para transmitir ao leitor o sentimento de beleza, utiliza-se da tristeza, explicando que quando achamos algo belo, sempre há lágrimas, por isso, para ele, para se transmitir beleza é necessário usar da tristeza. Seu processo de escrita é puramente racional, nada está lá por acaso, tudo é pensado, refletido, medido.
Teve um aspecto do texto “A Filosofia da Composição”,  que me deixou um pouco confusa para compreender  “O Corvo”,  no texto ( “A Filosofia da Composição”),  ele cita alguns versos do “ Corvo”, porém não pude entender o motivo de estarem diferentes dos que compõe a versão final publicada. Em alguns destes trechos  aparece o nome de uma “Leonor”, que não existe na versão final. Ele fala que tem a intenção de relacionar a tristeza com a perda da amante, porém quando li o texto final, não pude encontrar a presença desta amante.
Apesar dos mal entendidos, ler “A Filosofia da Composição”,  é uma lição de escrita.